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BUSCA LÓGICA, ATACAMA

Essa foi daqueles viagens que encantam e te deixam de queixo caído. Um lugar inexplicavelmente lindo, mas ao mesmo tempo muito visitado, muito fotografado, o que as vezes pode dificultar a inovação. Sabia que tentar representar a totalidade da beleza seria um esforço em vão. Tentei, então, abstrair a amplitude, direcionando a minha atenção para os fragmentos da paisagem, um encontro de relevo, um contraste de cor ou de texturas, buscando, na maioria das vezes uma abstração do cenário real. E é ai onde mais me interesso.

A abstração do real estimula o espectador a uma busca lógica pelo existente. Ou seja, a pessoa não aceita o fato de não compreender o que foi fotografado e começa a usar a imaginação pra tentar reconstruir o cenário. Esse sentimento de incompreensão, por mais instantâneo que seja, abre espaço pra imaginação desfrutar da ausência de barreiras, se vendo livre de conceitos pré-concebidos. E são nesses momentos que surgem as mais ricas interpretações. Seja uma pergunta simples sobre a maneira que a foto foi tirada, se foi de drone, se é montagem ou até mesmo que a foto remeteu a um sentimento, uma reflexão, um poema. Porque no fundo, por mais que eu como fotógrafo queira estimular algo nas pessoas, o que elas vão absorver das fotos vem de dentro de cada um e a abstração é uma ferramenta pra tentar acessar esse conteúdo.

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