BUSCA LÓGICA, PUNA ARGENTINA
Tento abstrair a amplitude, direcionando a minha atenção para os fragmentos da paisagem, um encontro de relevo, um contraste de cor ou de texturas, buscando, na maioria das vezes, uma abstração do cenário real. E é aí que mais me interesso.
A abstração do real estimula o espectador a uma busca lógica pelo existente. Ou seja, a pessoa não aceita o fato de não compreender o que foi fotografado e começa a usar a imaginação pra tentar reconstruir o cenário. Esse sentimento de incompreensão, por mais instantâneo que seja, abre espaço pra a imaginação desfrutar da ausência de barreiras, vendo-se livre de conceitos pré-concebidos. E são nesses momentos que surgem as mais ricas interpretações. Seja uma pergunta simples sobre a maneira como a foto foi tirada, se foi de drone, se é montagem ou até mesmo que a foto remeteu a um sentimento, uma reflexão, um poema. Porque, no fundo, por mais que eu, como fotógrafo, queira estimular algo nas pessoas, o que elas vão absorver das fotos vem de dentro de cada um, e a abstração é uma ferramenta pra tentar acessar esse conteúdo.













